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Voltar Berrante Pecuária Moderna

Cenário · 27 de jul de 2026 · 5 min de leitura

Governo ajusta controles para exportação de carnes e reforça importância da gestão diante de mercados cada vez mais exigentes

Mudanças para atender exigências da União Europeia sobre antimicrobianos evidenciam uma tendência já vista em outros mercados estratégicos, como a China.

Mudanças para atender às exigências da União Europeia sobre antimicrobianos evidenciam uma tendência já observada em outros mercados estratégicos, como a China, onde critérios sanitários e rastreabilidade ganham cada vez mais relevância para a competitividade da carne brasileira.

O governo brasileiro anunciou ajustes nos controles aplicados à exportação de carnes para atender às novas exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura classificou parte das exigências apresentadas pelo bloco europeu como "inaceitáveis", por entender que elas extrapolam os acordos sanitários vigentes entre as partes.

De acordo com reportagem publicada pela Globo Rural, o impasse envolve a exigência de comprovação do controle sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação. O governo brasileiro defende que o país possui um sistema oficial de fiscalização reconhecido internacionalmente e que novas exigências devem respeitar os princípios técnicos estabelecidos entre os serviços sanitários oficiais.

Exigências refletem uma tendência do mercado internacional

Embora o debate esteja concentrado nas negociações com a União Europeia, especialistas observam que o movimento acompanha uma tendência já percebida em importantes mercados importadores da carne bovina brasileira.

A China, principal destino das exportações brasileiras, mantém protocolos rigorosos relacionados à habilitação de frigoríficos, controle sanitário e rastreabilidade dos produtos. Já a União Europeia amplia o foco sobre a comprovação de práticas adotadas ao longo do processo produtivo. Ainda que os critérios sejam distintos, ambos os mercados sinalizam uma direção comum: maior transparência, segurança alimentar e capacidade de comprovação das informações ao longo da cadeia produtiva.

Gestão torna-se diferencial competitivo

Para Kennedy Alves, médico-veterinário, especialista em Pecuária de Corte pela FGV e diretor da Berrante Gestão Pecuária, o cenário demonstra que a competitividade da pecuária brasileira dependerá, cada vez mais, da capacidade de transformar informações operacionais em gestão.

"O debate sobre antimicrobianos não é apenas uma discussão sanitária. Ele mostra que os mercados querem confiança nas informações. Isso significa processos bem definidos, registros consistentes e dados confiáveis. Quem consegue demonstrar como produz estará mais preparado para atender às exigências atuais e às que ainda virão."

Segundo Kennedy, muitas propriedades evoluíram significativamente em produtividade, genética e manejo, mas ainda enfrentam dificuldades na organização das informações que sustentam a tomada de decisão e a comprovação dos processos.

"A gestão deixa de ser apenas uma ferramenta para controlar custos ou melhorar resultados internos. Ela passa a integrar a estratégia comercial da propriedade. Quanto maior a capacidade de registrar, organizar e apresentar informações confiáveis, maior será a competitividade da fazenda diante de mercados cada vez mais seletivos."

Profissionalização deixa de ser tendência para se tornar necessidade

As negociações entre Brasil e União Europeia seguem em andamento, mas especialistas avaliam que o fortalecimento das exigências sanitárias e de rastreabilidade tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela crescente demanda mundial por segurança alimentar, transparência e sustentabilidade nas cadeias produtivas.

Nesse contexto, a adaptação não depende apenas de mudanças regulatórias ou de investimentos em tecnologia. Exige também evolução na forma como as propriedades registram informações, padronizam processos e transformam dados em decisões.

Para Kennedy Alves, a pecuária brasileira reúne condições para atender aos mercados mais exigentes, desde que a gestão acompanhe a evolução técnica alcançada nas fazendas.

"O desafio da próxima década não será apenas produzir mais ou produzir melhor. Será comprovar, com dados e processos consistentes, a qualidade daquilo que se produz. A gestão será o elo entre uma pecuária eficiente dentro da fazenda e uma pecuária competitiva diante do mercado global."

Publicado por Vânia Guilsi · 27 de jul de 2026

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